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A insanidade do Racismo: Reflexões de João Ubaldo Ribeiro


A importância que muitas pessoas dão à questão da raça, a ponto de se odiarem por causa dela, é uma insanidade em qualquer parte do mundo. E é uma insanidade ainda maior em países como o Brasil, cujo povo é fruto de uma profunda mistura de raças. Essa é a opinião que o escritor João Ubaldo Ribeiro defende em um interessante artigo de opinião.

A seguir, dou informações gerais sobre esse artigo e seu autor, o contexto de escrita, minhas opiniões sobre o texto e, como de costume aqui no Sabores, trechos originais para saborear.

Informações gerais sobre o texto e o autor

O artigo, intitulado "O negro e o macaco" (clique aqui para ler o artigo na íntegra) , é um texto curto e direto, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 4 de maio de 2014. Foi escrito por João Ubaldo Ribeiro, famoso escritor brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras, que faleceu em julho daquele mesmo ano (2014).

João Ubaldo Ribeiro foi membro da Academia Brasileira de Letras

João Ubaldo escreveu o texto motivado por uma polêmica envolvendo racismo no campeonato espanhol de futebol da época. Durante uma partida, o jogador brasileiro Daniel Alves foi vítima de ofensas racistas por parte de torcedores adversários, que atiraram uma banana no gramado em sua direção. Sem se abater, Daniel Alves simplesmente pegou a banana, descascou, deu uma mordida e continuou na partida. A atitude do jogador gerou repercussão mundial e inspirou a reflexão do escritor.

Resumo do texto

O artigo desconstrói vários clichês sobre a questão racial. Seguem as ideias principais:

  • A relação entre escravidão e raça: O autor questiona a ligação automática que se faz entre escravos e negros. Ele lembra que, na maior parte da história da humanidade, a escravidão era o destino dos povos vencidos em guerras, independentemente de qual fosse a sua raça.
  • O mito da "cultura africana": João Ubaldo destaca que falar em "cultura africana" como algo único é uma prática reducionista. Devido à complexidade da África, não existe apenas uma cultura negra ou africana; achar que todos os negros são iguais é, na visão dele, uma postura ignorante e até racista.
  • A miscigenação no Brasil: Ele conclui afirmando que o Brasil é o único país onde homens e mulheres de todas as raças se misturaram. Por isso, o racismo no Brasil é uma estupidez ainda maior, em sua opinião.

Por que eu gostei do artigo

Gostei  do texto porque o autor fala com muita franqueza e objetividade. Suas opiniões fazem sentido. Falar de "cultura africana", no singular, realmente é muito genérico, assim como seria falar de uma única "cultura europeia" ou "cultura latina".

Além disso, associar a escravidão somente aos negros é uma visão muito reducionista. Ao longo da tumultuada história humana, a escravidão sempre foi o triste destino dos povos perdedores de guerras. Por exemplo, os gregos foram escravos dos romanos, e os egípcios escravizaram os israelitas. Os próprios israelitas, quando se tornaram uma nação forte, escravizaram outros povos, entre vários outros exemplos históricos.

Gostei também da forma como ele mostra que o racismo é deplorável e não tem nenhum sentido. Na verdade, como vários cientistas afirmam, o que realmente existe é apenas uma raça: a raça humana. Todas as "raças" têm a mesma origem, e nenhum povo é superior a outro. Inclinações racistas, portanto, não devem ter espaço em nosso coração.

Assim, vale muito a pena ler o artigo na íntegra. João Ubaldo, em poucas linhas, ressaltou a tolice do racismo e a improdutividade de muitas das discussões em torno do tema.

Trechos do artigo para saborear

Uma das mais clamorosas - e para mim enervantes - manifestações do atraso da espécie humana é esse negócio de raça.

A escravidão, para generalizar razoavelmente, era o destino dos vencidos de qualquer raça, que não fossem exterminados. Inclusive, é claro, pois do contrário é que não seriam humanos, os da raça negra vencidos por outros da mesma raça, caso dos escravos vendidos ao Brasil

Aplica um reducionismo grotesco aquele que - e lembro outra vez o tamanho e a complexidade da África - acha que só existe uma cultura negra ou africana.

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