Pular para o conteúdo principal

🎥 Vídeo do Canal YouTube Sabores Literários em Movimento

IA e redes sociais podem transformar nosso cérebro em "mingau"?


Uma reportagem recente do The New York Times traz um alerta sério sobre um fenômeno que tem preocupado pesquisadores: o Brain Rot — termo que pode ser traduzido literalmente como “podridão cerebral”.

Estudos recentes sugerem que o uso inadequado e excessivo de redes sociais e ferramentas de IA pode comprometer habilidades cognitivas essenciais. A reportagem chega a usar a palavra mingau para ilustrar o impacto negativo que certos usos da tecnologia podem ter sobre o cérebro humano.

A seguir, destaco o que considero alguns dos pontos importantes do texto e por que ele vale a leitura. Apresento ainda alguns trechos da reportagem. O artigo foi publicado no dia 11 de novembro de 2025 pelo jornal The New York Times e divulgado no Brasil pelo Estadão em 16 de novembro de 2025. O autor é Brian X. Chen.

Clique na imagem para ler a reportagem na íntegra.

Pontos principais da reportagem

  • Um dos estudos citados mostra que estudantes que realizam pesquisas tradicionais — digitando palavras-chave e lendo páginas no Google — apresentam melhor desempenho cognitivo (memória, compreensão, retenção de conteúdo) do que aqueles que acessam apenas resumos prontos gerados por IA.
  • Outro estudo revela que crianças que relataram uso intensivo de redes sociais tiveram resultados significativamente inferiores em testes de leitura, escrita, vocabulário e memória, quando comparadas às que utilizavam dispositivos com menos frequência.
  • O texto sugere que vivemos uma fase que poderia ser chamada de era da podridão cerebral, pois grande parte das pessoas utiliza essas ferramentas de forma compulsiva, o que enfraquece a capacidade de foco, reflexão e aprendizado — deixando o cérebro “mole”, frágil, parecido com um mingau cognitivo.

Por que eu gostei da reportagem

Gostei  porque ela trata de uma questão urgente: o vício contemporâneo em ferramentas digitais e suas consequências silenciosas. E não estamos falando só de adolescentes — adultos, inclusive muitos idosos, também estão presos a hábitos digitais pouco saudáveis.

Outro ponto importante é que a leitura da reportagem nos convida a refletir na nossa relação com a tecnologia. O uso excessivo dessas ferramentas, aliado a uma rotina pobre em exercícios intelectuais, pode resultar em habilidades cognitivas mais fracas. Essa situação, de acordo com diversos estudos aumenta o risco de doenças graves, como Alzheimer.

Também considero importante o embasamento científico da matéria. Não se trata de opinião solta ou sensacionalismo: o jornalista cita pesquisas diversas.

A reportagem traz também orientações práticas. Para quem usa chatbots — estudantes, profissionais, curiosos — o conselho é: comece o processo sozinho. Escreva, pesquise, organize ideias. Deixe a IA para revisar, sugerir ajustes ou completar detalhes técnicos (como datas, dados e referências).

E talvez o conselho mais valioso:
👉 Se o objetivo é aprender profundamente, a melhor atitude é ler um bom livro.

Por tudo isso, recomendo a leitura da reportagem completa. Ela é atual e nos motiva a construir uma relação mais consciente e saudável com as tecnologias digitais.


Trechos da reportagem para saborear

“Além de estudos recentes que descobriram uma correlação entre o uso de ferramentas de inteligência artificial e o declínio cognitivo, um novo estudo liderado por pediatras descobriu que o uso das redes sociais estava associado a um desempenho inferior entre crianças que faziam testes de leitura, memória e linguagem.”

“Uma sugestão é que os pais imponham zonas livres de telas, proibindo o uso do telefone em áreas como o quarto e a mesa de jantar, para que as crianças possam se concentrar nos estudos, no sono e nas refeições.”

“As pessoas que desejam usar chatbots para escrever e aprender devem considerar iniciar o processo por conta própria antes de recorrer às ferramentas de IA mais tarde no processo para revisões.”

“A chave para usar a IA de maneira mais saudável seja tentar ser mais consciente sobre como a utilizamos. Em vez de pedir a um chatbot para fazer toda a pesquisa, use-o como parte do processo para responder perguntas pontuais. Mas, para um aprendizado mais profundo, considere ler um livro.”

O uso das redes sociais e das IAs tem aumentado ou diminuído minha capacidade de focar, aprender e lembrar?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha do livro Tecnopólio

Você sabe o que é o tecnopólio? De forma simples, tecnopólio é a idolatria da tecnologia: uma maneira de viver em que as máquinas, os sistemas e os cálculos passam a ocupar o lugar que antes era reservado aos valores humanos, à tradição, à moral e ao senso crítico. Neste post, apresento algumas informações gerais sobre o livro Tecnopólio , de Neil Postman, explico por que gostei dele e compartilho trechos para você saborear e refletir. Informações gerais Neil Postman (1931–2003) foi professor de Comunicação e um dos maiores críticos da cultura tecnológica do século XX. Publicado em 1992, Tecnopólio: A submissão da cultura à tecnologia tornou-se uma obra de referência para quem deseja compreender como a tecnologia pode influenciar a sociedade. Visão geral da obra Postman explica que a humanidade passou por três etapas em sua relação com a tecnologia: Era das ferramentas: a tecnologia servia para resolver problemas práticos e permanecia subordinada aos valores...

Meu livro favorito

Neste post, compartilho como a Bíblia se tornou o livro de maior impacto na minha vida, influenciando minha visão de mundo e minhas ações. Além de apresentar informações gerais sobre essa obra milenar, falo sobre minha experiência de leitura desde a infância e como a Bíblia continua a me guiar e inspirar. Destaco passagens que me dão propósito, esperança e me ajudam a ser uma pessoa melhor. Convido você a conhecer o poder transformador que a leitura da Bíblia pode trazer para a vida. Muitos descrevem a Bíblia como o clássico dos clássicos , o livro mais influente da história. E há muito sentido nessa afirmação. Apesar de ser uma obra muito antiga, a Bíblia continua influenciando a vida de milhões de pessoas, inclusive a minha . INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A BÍBLIA Estrutura: É, na verdade, um conjunto de 66 livros menores . Antiguidade: O mais antigo foi escrito há mais de 3 mil anos. Escritores: Em torno de 40 pessoas participaram da escrita (incluindo médico, adv...

A Guerra dos Judeus, de Flávio Josefo

“Os escritos de Flávio Josefo são fascinantes e uma valiosa adição à biblioteca.” Esse é o ponto de vista da conceituada revista A Sentinela , edição de 15 de março de 1994 ( clique aqui para ler ). A mais famosa e tradicional enciclopédia do mundo ocidental, a Encyclopædia Britannica , classifica a obra de Josefo como “uma fonte primária vital para a história romana e judaica, bem como para o contexto geopolítico da era bíblica”. Já a World History Encyclopedia afirma que, sem os seus escritos, teríamos um "apagão" histórico sobre os detalhes do século I d.C. na Judeia. Então, é com muito prazer que escrevi este post sobre uma das obras mais famosas de Josefo: A Guerra dos Judeus . Seguem abaixo meus comentários e informações sobre essa obra e o seu autor. Eu li esse livro e separei alguns fragmentos para você, leitor, saborear um pouco a leitura deste riquíssimo clássico. O que me motivou a ler esse livro Já tinha lido muitas citações dos escritos de Josefo em m...